Lembro-me bem daquela noite em Manhattan, aquele incrível show de improvisos do Thelonious Monk em que eu não fui em 1957. Aquela noite em que eu não bebi o melhor Scott da minha vida e não vestia meu batom vermelho. Que não conversei sobre narcóticos com o meu amigo Bud Powell e fiquei a degustar meus cigarros e a sinfonia sentada num banco alto junto ao bar que tinha as curvas de um piano. A luz baixa, a música calmamente uterina e instigantemente instintiva. Sentia o prazer de estar viva a cada inspiração. Uma meditação natural, a cura pela música. Talvez a melhor noite da minha vida.
Se eu não tivesse nascido 30 anos mais tarde.
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
Qual é?
Qual é a minha? Me conta qual é a tua que eu faço encaixar, que deixo rolar da maneira que te fizer feliz. Me mostra o teu jeito, me fala do teu tempo que eu sinto que posso participar. Derrama tuas mágoas, chora pelo teu time que eu jogo na posição que convir: centroavante, zagueira, artilheira da tua seleção. Visto a tua camisa (ao acordar)e torço e comemoro tudo o que passou. E sou tua, só tua, que o meu coração tem espaço para muito amor, mas só para um de cada vez.
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
quinta-feira, 24 de junho de 2010
sexta-feira, 18 de junho de 2010
Mulherzinha
22 anos, solteira, alcoolizada e comendo desesperadamente em uma noite fria de maio. Desejo isso para toda mulher que não deseja ser androgina.
Play na comédia romântica que a noite segue e a qualquer momento o inverno pode acabar.
Play na comédia romântica que a noite segue e a qualquer momento o inverno pode acabar.
quinta-feira, 10 de junho de 2010
Quando te der conta...
Quando te der conta, já será tarde. Teu carinho não mais falta me fará. A mulher ideal, essa que falas que eu sou já terá cansado de esperar. Já terei encontrado o homem ideal. E se não, alguém melhor que tu. Ou apenas tu terás deixado de ser tão espetacular.
Não verei mais tão belos assim teus braços, porque braços serão somente braços. O teu sexo tão bom será trocado por um melhor, porque certamente existe. Na verdade só é tão bom porque há paixão junto. Não simplesmente porque sabes fazer teu trabalho muito bem. Modéstia parte, não encontrará alguém que seja tua de tal maneira sem interesse algum, pelo simples prazer de ser tua. E que prazer.
Mas isso é passado. Perdeste tua chance de ser plenamente feliz ao meu lado. Poderá ser ao lado de outra e não serei pretensiosa em dizer que não será tanto quanto se estivesse comigo. Mas será diferente, porque como eu não há, assim como até entre estrela e estrela há diferença de esplendor.
As minhas coxas grossas que já te prenderam com tal intensidade que chegastes a pensar que a liberdade nem fosse tão boa, hoje enjaula outro, outros. O teu abraço que me tirava o fôlego, hoje só me dá náuseas. Como um doce estragado. Um tesão absoluto por fora até saber que por dentro há certa podridão.
Em todo não foste ruim, foste muito bom por sinal, encantador. Mas a meia noite a carruagem volta a ser abóbora. E eu canso de me cegar diante o óbvio. Minha morenidade não tão bela, mas totalmente autêntica, proverá os meus casos. E eu, por minha essência os manterei. Nada me falta, tenho plena condição de ser amada e de amar. Não tente me enganar, não me reprima... o estrago que tua onda fez, não é nada perto do tsunami que posso causar.
Não verei mais tão belos assim teus braços, porque braços serão somente braços. O teu sexo tão bom será trocado por um melhor, porque certamente existe. Na verdade só é tão bom porque há paixão junto. Não simplesmente porque sabes fazer teu trabalho muito bem. Modéstia parte, não encontrará alguém que seja tua de tal maneira sem interesse algum, pelo simples prazer de ser tua. E que prazer.
Mas isso é passado. Perdeste tua chance de ser plenamente feliz ao meu lado. Poderá ser ao lado de outra e não serei pretensiosa em dizer que não será tanto quanto se estivesse comigo. Mas será diferente, porque como eu não há, assim como até entre estrela e estrela há diferença de esplendor.
As minhas coxas grossas que já te prenderam com tal intensidade que chegastes a pensar que a liberdade nem fosse tão boa, hoje enjaula outro, outros. O teu abraço que me tirava o fôlego, hoje só me dá náuseas. Como um doce estragado. Um tesão absoluto por fora até saber que por dentro há certa podridão.
Em todo não foste ruim, foste muito bom por sinal, encantador. Mas a meia noite a carruagem volta a ser abóbora. E eu canso de me cegar diante o óbvio. Minha morenidade não tão bela, mas totalmente autêntica, proverá os meus casos. E eu, por minha essência os manterei. Nada me falta, tenho plena condição de ser amada e de amar. Não tente me enganar, não me reprima... o estrago que tua onda fez, não é nada perto do tsunami que posso causar.
sexta-feira, 28 de maio de 2010
Rita
O Jorge disse que o Chico falou que a Rita levou meu sorriso com o sorriso dela. Mas eu duvido. Rita alguma me leva o que é de direito. Leve qualquer retrato, mas deixe meus discos e minhas imagens de adoração. Mate qualquer amor, mas não deixe resquícios. Meus vinte anos foram embora sozinhos. Não se sinta responsável por isto. Não foste tu. Fui eu. Só levarás o que eu deixar. Dinheiro não há para levares e nem tente acabar com meus planos. Há de nascer quem o faça. Eles mudam, mas só eu tenho o poder de alterá-los. Não será tu Rita, com tamanha prepotência que me deixará a ver navios. Na minha vida, assim como na sua e na de qualquer outrem, só acontecerá o que for permitido. Só eu serei responsável pelas minhas perdas ou ganhos. Não te iludas e, principalmente, não tente me iludir.
segunda-feira, 24 de maio de 2010
O crepúsculo sela tudo o que foi começado. O dia jaz para que a noite possa nascer e fazer o seu trabalho de marcar o tempo. Poético é este período. O momento da transmutação. Seja o que for, não há volta, acabara de acabar. É o que és e não mais és. Deixara de o ser.
O crepúsculo chegou. Tudo deixou de ser. O anoitecer é manso e o que sinto nem tanto. Sinto-me como um pacote de arroz integral embalado a vácuo. Preciso explodir, respirar. O oxigênio faz falta e o toque também. Quero alguém. Quero alguém que me abrace e diga: tudo vai ficar bem. Preciso ser cuidada nesse momento, de uma segurança extrínseca para confirmar minha esperança, meu otimismo.
Não há o que fazer, esse vazio só vai cessar quando o crepúsculo passar. A presença da morte é incômoda, estranha, tão vazia quanto cheia. Tão fascinante e espetacular. Assim é todo o estranho, diferente e novo. Horripilante. Mas o sol precisa morrer para que “se faça lua para marcar o tempo”. Linda, branca ou amarela, redonda ou definhada. Mas sempre a poesia dos que amam a arte da vida e a natureza.
Seja a pureza e sentirás o belo da obra, da grande obra. Transformo-me em pedra, tronco e nuvem, sou mar, vento, a brisa. Pareço forte, ajo de tal forma, mas sou levinha como a garoa. Chovo mas não molho, só incomodo. E já não sou mais. Deixo de ser. Por que o que era há um segundo, não mais é. Mudou, transformou, transmutou, passou e continua igual. A mesma coisa sempre diferente. Digo: papo de maluco. Pois sou tão louca quanto uma equação. A certeza do real questionada pela magia do surreal.
De tanta baboseira, apenas uma certeza: de que nada é certo e que, certamente, foco não é meu forte.
O crepúsculo chegou. Tudo deixou de ser. O anoitecer é manso e o que sinto nem tanto. Sinto-me como um pacote de arroz integral embalado a vácuo. Preciso explodir, respirar. O oxigênio faz falta e o toque também. Quero alguém. Quero alguém que me abrace e diga: tudo vai ficar bem. Preciso ser cuidada nesse momento, de uma segurança extrínseca para confirmar minha esperança, meu otimismo.
Não há o que fazer, esse vazio só vai cessar quando o crepúsculo passar. A presença da morte é incômoda, estranha, tão vazia quanto cheia. Tão fascinante e espetacular. Assim é todo o estranho, diferente e novo. Horripilante. Mas o sol precisa morrer para que “se faça lua para marcar o tempo”. Linda, branca ou amarela, redonda ou definhada. Mas sempre a poesia dos que amam a arte da vida e a natureza.
Seja a pureza e sentirás o belo da obra, da grande obra. Transformo-me em pedra, tronco e nuvem, sou mar, vento, a brisa. Pareço forte, ajo de tal forma, mas sou levinha como a garoa. Chovo mas não molho, só incomodo. E já não sou mais. Deixo de ser. Por que o que era há um segundo, não mais é. Mudou, transformou, transmutou, passou e continua igual. A mesma coisa sempre diferente. Digo: papo de maluco. Pois sou tão louca quanto uma equação. A certeza do real questionada pela magia do surreal.
De tanta baboseira, apenas uma certeza: de que nada é certo e que, certamente, foco não é meu forte.
sexta-feira, 14 de maio de 2010
Um pouco deste veneno
Se fossem falar de mim diriam sobre minha determinação, que sou pragmática e choro pouco. Que faço as pessoas rirem ou chorarem, dependendo da conotação do meu discurso, que falo bem. Que sou teimosa, ranzinza, ciumenta e até um pouco folgada. Dizem também que sou cética e me falta um pouco de humildade, que tenho muita sorte, que pareço uma comunista, que tenho idéias absurdas e ainda tentam me alertar: não precisa ser forte o tempo todo, derrube seus muros.
Não concordo com algumas percepções, contudo faço questão de saber sempre a visão que têm de mim. Diferentes visões são assaz importantes para que possa refletir. Afinal de contas, quem garante que não sou eu quem está errada? Mas também sobre o certo e o errado, a verdade e a mentira, o bem e o mal, quem poderá falar? Não sabemos muito mais do que o que nos ensinaram e com freqüência não questionamos estes ensinamentos.
Mas sim, sou bastante objetiva, até demais as vezes, não gosto de rodeios, de jogos, conheço minhas vontades e espero que os outros também conheçam as suas. Não vejo necessidade de ignorarmos nossos desejos. Sensibilidade não é meu forte e por isso sempre tentei desenvolver outras características, meu choro é pouco, mas é honesto, principalmente comigo e não me considero tão determinada, falta-me disciplina e um pouco de coragem. Poderia ser muito melhor.
Quando falo bonito, não é por ter um bom português, é por que vem do coração. Invento pouca coisa, falo o que sinto. Meus milhões de defeitos não são vistos por todos já que presenteio apenas os que amo com minha totalidade. Acredito em tudo: fadas, duendes, deuses, santos, anjos e também na arte. Ah a arte. Me faz tão bem, me consola ver o mundo com olhos mansos e me iludir um pouquinho. De todas elas, talvez a que mais me fascine seja a música, é das poucas coisas que o homem conseguiu se aproximar da perfeição da natureza e também da alma.
Quando me chamam de louca respondo: se você conseguisse ouvir a música que eu ouço também estaria dançando. Para mim, sorte e preparo deveriam ser sinônimos, Deus não me daria o que eu não merecesse a não ser que quisesse se divertir. A minha timidez muitas vezes foi confundida com arrogância, mas juro, não me julgo melhor do que ninguém e estou sempre disposta a aprender. Só não baixo a guarda, tenho necessidade em transformar ameaças em oportunidades.
Se eu fosse falar de mim? Ah... não gastaria muito tempo, só diria do que realmente importa. Que talvez você não venha conhecer uma amiga tão leal, que sou intolerante com injustiça (não há nada que me machuque mais), que ouço muito melhor do que falo e que sonho, sonho muito e com tudo e com todos. Que tento sempre dar o melhor de mim e minhas opiniões mudam constantemente, não me apego a ideologias. A mulher do hoje é a menina de amanhã.
Não concordo com algumas percepções, contudo faço questão de saber sempre a visão que têm de mim. Diferentes visões são assaz importantes para que possa refletir. Afinal de contas, quem garante que não sou eu quem está errada? Mas também sobre o certo e o errado, a verdade e a mentira, o bem e o mal, quem poderá falar? Não sabemos muito mais do que o que nos ensinaram e com freqüência não questionamos estes ensinamentos.
Mas sim, sou bastante objetiva, até demais as vezes, não gosto de rodeios, de jogos, conheço minhas vontades e espero que os outros também conheçam as suas. Não vejo necessidade de ignorarmos nossos desejos. Sensibilidade não é meu forte e por isso sempre tentei desenvolver outras características, meu choro é pouco, mas é honesto, principalmente comigo e não me considero tão determinada, falta-me disciplina e um pouco de coragem. Poderia ser muito melhor.
Quando falo bonito, não é por ter um bom português, é por que vem do coração. Invento pouca coisa, falo o que sinto. Meus milhões de defeitos não são vistos por todos já que presenteio apenas os que amo com minha totalidade. Acredito em tudo: fadas, duendes, deuses, santos, anjos e também na arte. Ah a arte. Me faz tão bem, me consola ver o mundo com olhos mansos e me iludir um pouquinho. De todas elas, talvez a que mais me fascine seja a música, é das poucas coisas que o homem conseguiu se aproximar da perfeição da natureza e também da alma.
Quando me chamam de louca respondo: se você conseguisse ouvir a música que eu ouço também estaria dançando. Para mim, sorte e preparo deveriam ser sinônimos, Deus não me daria o que eu não merecesse a não ser que quisesse se divertir. A minha timidez muitas vezes foi confundida com arrogância, mas juro, não me julgo melhor do que ninguém e estou sempre disposta a aprender. Só não baixo a guarda, tenho necessidade em transformar ameaças em oportunidades.
Se eu fosse falar de mim? Ah... não gastaria muito tempo, só diria do que realmente importa. Que talvez você não venha conhecer uma amiga tão leal, que sou intolerante com injustiça (não há nada que me machuque mais), que ouço muito melhor do que falo e que sonho, sonho muito e com tudo e com todos. Que tento sempre dar o melhor de mim e minhas opiniões mudam constantemente, não me apego a ideologias. A mulher do hoje é a menina de amanhã.
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