Lembro-me bem daquela noite em Manhattan, aquele incrível show de improvisos do Thelonious Monk em que eu não fui em 1957. Aquela noite em que eu não bebi o melhor Scott da minha vida e não vestia meu batom vermelho. Que não conversei sobre narcóticos com o meu amigo Bud Powell e fiquei a degustar meus cigarros e a sinfonia sentada num banco alto junto ao bar que tinha as curvas de um piano. A luz baixa, a música calmamente uterina e instigantemente instintiva. Sentia o prazer de estar viva a cada inspiração. Uma meditação natural, a cura pela música. Talvez a melhor noite da minha vida.
Se eu não tivesse nascido 30 anos mais tarde.
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