sexta-feira, 14 de maio de 2010

Um pouco deste veneno

Se fossem falar de mim diriam sobre minha determinação, que sou pragmática e choro pouco. Que faço as pessoas rirem ou chorarem, dependendo da conotação do meu discurso, que falo bem. Que sou teimosa, ranzinza, ciumenta e até um pouco folgada. Dizem também que sou cética e me falta um pouco de humildade, que tenho muita sorte, que pareço uma comunista, que tenho idéias absurdas e ainda tentam me alertar: não precisa ser forte o tempo todo, derrube seus muros.
Não concordo com algumas percepções, contudo faço questão de saber sempre a visão que têm de mim. Diferentes visões são assaz importantes para que possa refletir. Afinal de contas, quem garante que não sou eu quem está errada? Mas também sobre o certo e o errado, a verdade e a mentira, o bem e o mal, quem poderá falar? Não sabemos muito mais do que o que nos ensinaram e com freqüência não questionamos estes ensinamentos.
Mas sim, sou bastante objetiva, até demais as vezes, não gosto de rodeios, de jogos, conheço minhas vontades e espero que os outros também conheçam as suas. Não vejo necessidade de ignorarmos nossos desejos. Sensibilidade não é meu forte e por isso sempre tentei desenvolver outras características, meu choro é pouco, mas é honesto, principalmente comigo e não me considero tão determinada, falta-me disciplina e um pouco de coragem. Poderia ser muito melhor.
Quando falo bonito, não é por ter um bom português, é por que vem do coração. Invento pouca coisa, falo o que sinto. Meus milhões de defeitos não são vistos por todos já que presenteio apenas os que amo com minha totalidade. Acredito em tudo: fadas, duendes, deuses, santos, anjos e também na arte. Ah a arte. Me faz tão bem, me consola ver o mundo com olhos mansos e me iludir um pouquinho. De todas elas, talvez a que mais me fascine seja a música, é das poucas coisas que o homem conseguiu se aproximar da perfeição da natureza e também da alma.
Quando me chamam de louca respondo: se você conseguisse ouvir a música que eu ouço também estaria dançando. Para mim, sorte e preparo deveriam ser sinônimos, Deus não me daria o que eu não merecesse a não ser que quisesse se divertir. A minha timidez muitas vezes foi confundida com arrogância, mas juro, não me julgo melhor do que ninguém e estou sempre disposta a aprender. Só não baixo a guarda, tenho necessidade em transformar ameaças em oportunidades.
Se eu fosse falar de mim? Ah... não gastaria muito tempo, só diria do que realmente importa. Que talvez você não venha conhecer uma amiga tão leal, que sou intolerante com injustiça (não há nada que me machuque mais), que ouço muito melhor do que falo e que sonho, sonho muito e com tudo e com todos. Que tento sempre dar o melhor de mim e minhas opiniões mudam constantemente, não me apego a ideologias. A mulher do hoje é a menina de amanhã.

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