segunda-feira, 24 de maio de 2010

O crepúsculo sela tudo o que foi começado. O dia jaz para que a noite possa nascer e fazer o seu trabalho de marcar o tempo. Poético é este período. O momento da transmutação. Seja o que for, não há volta, acabara de acabar. É o que és e não mais és. Deixara de o ser.
O crepúsculo chegou. Tudo deixou de ser. O anoitecer é manso e o que sinto nem tanto. Sinto-me como um pacote de arroz integral embalado a vácuo. Preciso explodir, respirar. O oxigênio faz falta e o toque também. Quero alguém. Quero alguém que me abrace e diga: tudo vai ficar bem. Preciso ser cuidada nesse momento, de uma segurança extrínseca para confirmar minha esperança, meu otimismo.
Não há o que fazer, esse vazio só vai cessar quando o crepúsculo passar. A presença da morte é incômoda, estranha, tão vazia quanto cheia. Tão fascinante e espetacular. Assim é todo o estranho, diferente e novo. Horripilante. Mas o sol precisa morrer para que “se faça lua para marcar o tempo”. Linda, branca ou amarela, redonda ou definhada. Mas sempre a poesia dos que amam a arte da vida e a natureza.
Seja a pureza e sentirás o belo da obra, da grande obra. Transformo-me em pedra, tronco e nuvem, sou mar, vento, a brisa. Pareço forte, ajo de tal forma, mas sou levinha como a garoa. Chovo mas não molho, só incomodo. E já não sou mais. Deixo de ser. Por que o que era há um segundo, não mais é. Mudou, transformou, transmutou, passou e continua igual. A mesma coisa sempre diferente. Digo: papo de maluco. Pois sou tão louca quanto uma equação. A certeza do real questionada pela magia do surreal.
De tanta baboseira, apenas uma certeza: de que nada é certo e que, certamente, foco não é meu forte.

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