sexta-feira, 28 de maio de 2010

Rita

O Jorge disse que o Chico falou que a Rita levou meu sorriso com o sorriso dela. Mas eu duvido. Rita alguma me leva o que é de direito. Leve qualquer retrato, mas deixe meus discos e minhas imagens de adoração. Mate qualquer amor, mas não deixe resquícios. Meus vinte anos foram embora sozinhos. Não se sinta responsável por isto. Não foste tu. Fui eu. Só levarás o que eu deixar. Dinheiro não há para levares e nem tente acabar com meus planos. Há de nascer quem o faça. Eles mudam, mas só eu tenho o poder de alterá-los. Não será tu Rita, com tamanha prepotência que me deixará a ver navios. Na minha vida, assim como na sua e na de qualquer outrem, só acontecerá o que for permitido. Só eu serei responsável pelas minhas perdas ou ganhos. Não te iludas e, principalmente, não tente me iludir.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

O crepúsculo sela tudo o que foi começado. O dia jaz para que a noite possa nascer e fazer o seu trabalho de marcar o tempo. Poético é este período. O momento da transmutação. Seja o que for, não há volta, acabara de acabar. É o que és e não mais és. Deixara de o ser.
O crepúsculo chegou. Tudo deixou de ser. O anoitecer é manso e o que sinto nem tanto. Sinto-me como um pacote de arroz integral embalado a vácuo. Preciso explodir, respirar. O oxigênio faz falta e o toque também. Quero alguém. Quero alguém que me abrace e diga: tudo vai ficar bem. Preciso ser cuidada nesse momento, de uma segurança extrínseca para confirmar minha esperança, meu otimismo.
Não há o que fazer, esse vazio só vai cessar quando o crepúsculo passar. A presença da morte é incômoda, estranha, tão vazia quanto cheia. Tão fascinante e espetacular. Assim é todo o estranho, diferente e novo. Horripilante. Mas o sol precisa morrer para que “se faça lua para marcar o tempo”. Linda, branca ou amarela, redonda ou definhada. Mas sempre a poesia dos que amam a arte da vida e a natureza.
Seja a pureza e sentirás o belo da obra, da grande obra. Transformo-me em pedra, tronco e nuvem, sou mar, vento, a brisa. Pareço forte, ajo de tal forma, mas sou levinha como a garoa. Chovo mas não molho, só incomodo. E já não sou mais. Deixo de ser. Por que o que era há um segundo, não mais é. Mudou, transformou, transmutou, passou e continua igual. A mesma coisa sempre diferente. Digo: papo de maluco. Pois sou tão louca quanto uma equação. A certeza do real questionada pela magia do surreal.
De tanta baboseira, apenas uma certeza: de que nada é certo e que, certamente, foco não é meu forte.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Um pouco deste veneno

Se fossem falar de mim diriam sobre minha determinação, que sou pragmática e choro pouco. Que faço as pessoas rirem ou chorarem, dependendo da conotação do meu discurso, que falo bem. Que sou teimosa, ranzinza, ciumenta e até um pouco folgada. Dizem também que sou cética e me falta um pouco de humildade, que tenho muita sorte, que pareço uma comunista, que tenho idéias absurdas e ainda tentam me alertar: não precisa ser forte o tempo todo, derrube seus muros.
Não concordo com algumas percepções, contudo faço questão de saber sempre a visão que têm de mim. Diferentes visões são assaz importantes para que possa refletir. Afinal de contas, quem garante que não sou eu quem está errada? Mas também sobre o certo e o errado, a verdade e a mentira, o bem e o mal, quem poderá falar? Não sabemos muito mais do que o que nos ensinaram e com freqüência não questionamos estes ensinamentos.
Mas sim, sou bastante objetiva, até demais as vezes, não gosto de rodeios, de jogos, conheço minhas vontades e espero que os outros também conheçam as suas. Não vejo necessidade de ignorarmos nossos desejos. Sensibilidade não é meu forte e por isso sempre tentei desenvolver outras características, meu choro é pouco, mas é honesto, principalmente comigo e não me considero tão determinada, falta-me disciplina e um pouco de coragem. Poderia ser muito melhor.
Quando falo bonito, não é por ter um bom português, é por que vem do coração. Invento pouca coisa, falo o que sinto. Meus milhões de defeitos não são vistos por todos já que presenteio apenas os que amo com minha totalidade. Acredito em tudo: fadas, duendes, deuses, santos, anjos e também na arte. Ah a arte. Me faz tão bem, me consola ver o mundo com olhos mansos e me iludir um pouquinho. De todas elas, talvez a que mais me fascine seja a música, é das poucas coisas que o homem conseguiu se aproximar da perfeição da natureza e também da alma.
Quando me chamam de louca respondo: se você conseguisse ouvir a música que eu ouço também estaria dançando. Para mim, sorte e preparo deveriam ser sinônimos, Deus não me daria o que eu não merecesse a não ser que quisesse se divertir. A minha timidez muitas vezes foi confundida com arrogância, mas juro, não me julgo melhor do que ninguém e estou sempre disposta a aprender. Só não baixo a guarda, tenho necessidade em transformar ameaças em oportunidades.
Se eu fosse falar de mim? Ah... não gastaria muito tempo, só diria do que realmente importa. Que talvez você não venha conhecer uma amiga tão leal, que sou intolerante com injustiça (não há nada que me machuque mais), que ouço muito melhor do que falo e que sonho, sonho muito e com tudo e com todos. Que tento sempre dar o melhor de mim e minhas opiniões mudam constantemente, não me apego a ideologias. A mulher do hoje é a menina de amanhã.